O Fim do “Exército de Brancaleone” e a Soberania do Nosso Estado
Carta Aberta,
Senhores empresários, lideranças políticas, representantes do Estado e cidadãos capixabas,
Faço aqui uma leitura fria e realista do nosso momento econômico e social. O que proponho não é caridade, não é populismo e não é, de forma alguma, a lenda ultrapassada de tirar dos outros na marra. O buraco é muito mais embaixo.
Cansei de ver a ilusão daqueles que tentam governar ou prosperar cercados por uma horda de oprimidos, doentes e limitados — a alegoria caótica do Incrível Exército de Brancaleone. Gerenciar a miséria para posar de salvador é uma armadilha que destrói qualquer nação. Um castelo não se sustenta, de forma alguma, se o feudo (o nosso Estado) ao redor estiver em ruínas. A miséria na porta da sua empresa ou do nosso gabinete não é troféu; é um risco sistêmico à nossa própria sobrevivência.
Muitos olham para as nossas pautas e tentam nos encaixar no mito inglês do “Robin Hood”, como se o nosso papel fosse confiscar riquezas. Isso é uma miopia econômica. A lenda medieval gera um alívio momentâneo, mas não cria riqueza, não emancipa e destrói a sustentabilidade do reinado. Eu não quero cortar privilégios na marra. O que eu defendo é a consciência pura e a responsabilidade social. O dinheiro já existe no Brasil e no Espírito Santo; o que precisamos é de engenharia, de mercado e de uma nova mentalidade.
O Lauro Nunes que se apresenta hoje ao mercado e ao Espírito Santo é um construtor de soberania. E a nossa engrenagem é muito clara:
- Sustentabilidade do nosso feudo (Estado): O empresário precisa entender o seu real papel e o seu espaço. É preciso ter a consciência de que remunerar bem não é gasto, é inteligência de negócios. Na Assembleia Legislativa, vou lutar para romper com a submissão aos pisos nacionais. Instituiremos um patamar regional que acompanhe o verdadeiro custo de vida capixaba, forçando o setor privado a pagar salários justos, entre R$ 2.500 e R$ 4.000. Funcionário valorizado consome no seu comércio, paga pelos seus serviços e estabiliza o seu negócio. Sustentar o próprio castelo exige um feudo rico.
- O Estado como Garante do Piso: O governo tem o seu espaço e o seu dever. É preciso unificar a rede de proteção social (Bolsa Família, farmácia, transporte, gás) garantindo o teto de um salário mínimo para quem ficou para trás. Dignidade não se negocia.
- Educação Financeira e Soberania Regional: A sociedade tem a sua parcela de responsabilidade e o seu próprio espaço. Precisamos tirar o nosso povo da vala comum do consumo imediato. O cidadão e o pequeno empresário devem ser educados para investir e reter o capital dentro de casa. Vamos ensinar nosso povo a se tornar acionista das grandes corporações que movem a nossa terra — como a Vale, a Petrobras, o Banco do Brasil e o nosso Banestes — e a canalizar as nossas reservas para o Fundo Soberano do Estado do Espírito Santo (FUNSES).
Ninguém prospera sobre um mar de miséria. Quando o empresariado, a classe política e o Estado compreenderem que erradicar a dependência através da responsabilidade social, da valorização salarial e da retenção de capital é a única saída, nós paramos de gerenciar a pobreza e passamos a construir a verdadeira soberania econômica.
Isso não é lenda. Isso é cálculo, é visão de estadista e é o único caminho para um Espírito Santo próspero, emancipado e sem miséria.
Lauro Nunes – Empresário e Jornalista



