O Governo do Estado do Espírito Santo apresentou, em 23 de março de 2026, o Relatório de Resultados Fiscais referente ao ano de 2025. O documento, detalhado pela Secretaria da Fazenda (Sefaz), traz números que colocam o Estado em uma posição de destaque nacional: foram R$5,1 bilhões em investimentos diretos em saúde, educação e infraestrutura, com superávit orçamentário e dívida líquida negativa. Segundo a pasta, o Estado aplicou 20% de sua receita total nesta finalidade, marca que o consolidou como o ente federativo que, proporcionalmente, mais investiu no País no último ano.
Você pode conferir a íntegra dos dados oficiais diretamente no portal da Sefaz:
O Abismo entre o Relatório e a Realidade
No entanto, quando cruzamos o dado do relatório com a fiscalização de campo, surge um hiato preocupante. Enquanto o balanço financeiro relata recordes bilionários, a realidade de quem vive no Caparaó conta uma história paralela. O ativista e político humanitário, Deude de Melo, documentou com precisão o estado de abandono da Escola de Agricultura de Iúna. O que deveria ser um ativo de transformação social, capaz de capacitar gerações de produtores rurais e gerar renda, acumula uma década de ruínas e descaso. O desespero captado no registro de Deude não é apenas a indignação de um cidadão; é o retrato de um sistema que falha em converter o “investimento recorde” em dignidade humana para o interior.
A Disparidade que o Relatório não explica
O comparativo regional expõe a seletividade dos investimentos:
- Santa Catarina: O Estado catarinense prioriza a descentralização de recursos, criando polos de competitividade que integram o interior à rede de desenvolvimento estadual, focando em infraestrutura que sustenta a economia regional.
- Rio de Janeiro: Mesmo enfrentando desafios, a gestão municipal tem investido mais de R$ 2 bilhões na Zona Oeste, região historicamente negligenciada. O recurso é aplicado diretamente em urbanização (programas como Bairro Maravilha), saneamento, parques e mobilidade, demonstrando que é possível priorizar áreas periféricas com obras estruturantes.
- Espírito Santo: Onde a infraestrutura do interior definha, o Estado opta pela manutenção de uma máquina de publicidade institucional para manter a vitrine da eficiência.

A Pergunta que o Dossiê RAIO-X propõe
Se o Estado possui R$5,1 bilhões em investimentos, caixa positivo e dívida negativa, a quem serve o critério que deixa Iúna no abandono?
A manutenção da pobreza — o projeto de manter o cidadão dependente e sem qualificação técnica — parece ser o único setor que, de fato, continua recebendo verba constante, ainda que invisível no balanço da Sefaz.
O Dossiê RAIO-X não questiona a precisão dos números do relatório — questiona a vontade política por trás de cada centavo não aplicado onde o povo realmente precisa. O Estado é do cidadão, e o investimento é público. O RAIO-X convoca a sociedade a fiscalizar: qual obra na sua região está parada enquanto o governo faz propaganda? Mande sua denúncia. AQUI



